Com aulas à distância, Julio Cesar não vê a hora de voltar para a sala de aula


Medalhista de ouro aguarda com ansiedade próxima OBMEP

 

 

Julio Cesar Nascimento, de 13 anos, ainda pretende ler o famoso romance “O Homem que Calculava”, de Julio Cesar de Mello e Souza, o Malba Tahan. Além de ter o mesmo nome que o autor da obra, o menino também carrega consigo paixões em comum com o escritor: pelos números e pela ficção. Em 2019, o estudante de Quixabá (PE) conquistou o ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), sua segunda medalha na competição. Na literatura, o livro favorito é “O Mistério do Relógio na Parede”, trama de John Bellairs que envolve fantasia, um pouco de terror e comédia. Atento aos números e às histórias, Julio também adora filmes de animes, de ação e destaca o sucesso de bilheteria “Jumanji”. 

 

“Os personagens usam mapas, vêem coordenadas e calculam quanto tempo vão levar para completar missões. Gosto de ver como usam a matemática para tudo isso”, comenta Julio, que vê a matemática como um desafio. “Às vezes, quando estou fazendo algum cálculo, penso que aquela conta é difícil. Mas compreendi que existem várias formas de se chegar a uma mesma resposta. Depois, fica fácil!”

 

A primeira vez que participou da OBMEP foi em 2018, quando estava no 6º ano do Ensino Fundamental. “Naquele ano, garanti o bronze”, lembra. Para chegar ao ouro, Julio diz que não teve segredo. Foi preciso fazer uma intensa preparação, “estudava o dia todo, mesmo!” 

 

Filhos de pais separados, Julio mora com a mãe Elisângela, o irmão caçula Lucas, a avó e os tios. A região onde a família vive fica na divisa de Pernambuco com a Paraíba. “Moramos em um estado e, quando as aulas eram presenciais, ele estudava em outro. O Colégio Tomé Francisco da Silva fica na Paraíba. Sempre tivemos uma vida muito simples. Não temos muitos recursos, mas fazemos o que podemos”, conta a mãe do estudante, que trabalha como esteticista. 




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Elisângela destaca que apesar da pouca idade, Julio é extremamente responsável e companheiro, tanto na escola quanto na vida familiar. “Ele cuida muito de todos nós.” Para o irmão, o estudante tenta passar até mesmo o amor pelos números. “Brinco, tentando enganá-lo. Pergunto: ‘Lucas, quanto é cinco mais sete?’, daí ele responde ‘É 12!’ Retruco com ‘e quanto é sete mais cinco?’, mas ele já não cai mais. Sabe que o resultado é o mesmo”, diverte-se.  

 

A rotina do medalhista da OBMEP é, atualmente, dividida entre as aulas regulares do colégio e o grupo de estudos pelo Programa de Iniciação Científica (PIC) Jr, tudo de maneira remota, por conta da pandemia do novo coronavírus. “Não é a mesma coisa que estar presencialmente na escola, mas têm funcionado. As professoras nos mandam slides e vamos estudando por ali.” E quando algum assunto não fica muito claro, ele não pensa duas vezes. “Corro para internet, procuro por vídeos e exercícios on-line no Portal da OBMEP e em outros sites, isso me ajuda bastante.”

 

Quem acompanha o menino nos estudos, sabe que ele está no caminho certo. “A motivação que a OBMEP dá ao discente é fundamental para que ele perceba que é possível ingressar na universidade. No PIC Jr, são estudados temas da matemática para além da educação básica no Brasil. A ciência é abordada de forma positiva, levando o aluno a descobrir que a matemática é muito mais que fórmulas decoradas”, destaca Pedro Macário, coordenador regional da OBMEP em Pernambuco. 

 

O professor observa ainda que os egressos do PIC, ao entrarem na universidade nos cursos de exatas, não têm apresentado dificuldade nas disciplinas tidas como mais difíceis, como cálculo, álgebra linear e matemática discreta. “Este é um fato das inúmeras provas de que a competição é sem dúvidas um programa de transformação social, cultural e científica no Brasil”. 

 

Além da matemática, o menino também é fã de esportes. “Handebol, vôlei, futebol… quando tínhamos os jogos escolares, atuava como goleiro. Já defendi uns 150, 170 gols”, dispara com orgulho o medalhista, que não vê a hora de voltar ao campo e à sala de aula. Em meio ao ano escolar bastante atípico, Julio espera ansioso pela próxima edição da OBMEP que, segundo ele, será diferente de todas as outras por conta da enorme expectativa de todos os estudantes. 

 

 

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