Luiza Rubim, medalhista da OBMEP, vai fazer curso na NASA

 

Estudante do ES pensa em se aprofundar em engenharia aeroespacial


Aos 16 anos, a estudante Luiza Rubim, de Vitória (ES), vem protagonizando uma longa e bem-sucedida trajetória em olimpíadas científicas. Além de ter sido premiada com dois ouros e um bronze por três anos consecutivos na OBMEP, a capixaba também se lançou em olimpíadas de química, física, geografia, história e astronomia. Agora, a medalhista está prestes a viver mais uma experiência recompensante. Por causa de seu desempenho acadêmico exemplar, ela foi selecionada para participar de um curso no Kennedy Space Center, da NASA. Após ter sido adiada por conta da pandemia, a viagem está marcada para outubro de 2022, e será sua primeira experiência internacional.

    Mas a conquista não veio sem desafios. Luiza já havia sido selecionada para participar do curso no Kennedy Space Center por três anos consecutivos, mas sua família não conseguiu arcar com os custos. Desta vez, uma empresa de pagamentos está custeando a viagem. No Kennedy Space Center, os alunos são convidados a conhecer o lugar, participar de palestras, entrar em contato com profissionais e participar de experiências práticas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

A expectativa é de que a experiência amplie seus conhecimentos em uma área que tem despertado cada vez mais seu interesse: a engenharia aeroespacial. “Ainda estou em dúvida sobre qual área da engenharia seguir, então a viagem vai ser um ponto importante para levar em conta, porque vou conhecer mais de perto a engenharia aeroespacial e entender mais sobre a profissão”, afirma. Sua mãe, Angela Maria de Souza, que atua no ramo de eventos, comemora e se orgulha da conquista da filha. “A gente sempre foi uma família simples e ela se dedicou muito aos estudos desde sempre. Ela também é uma ótima filha, boa neta, é realmente um orgulho. Agradeço muito pela graça não só da inteligência e do conhecimento dela, mas pela pessoa que ela é.”

OBMEP foi porta de entrada para a educação, diz medalhista

A história de Luiza com a OBMEP começou em 2016, quando seu professor de matemática a incentivou a participar da sua primeira competição. À época, ela estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental Experimental da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Participando da OBMEP percebi que gostava dessa área, porque foi uma porta de entrada para a educação em si. Meu professor de matemática acreditava que eu tinha potencial para ser medalhista e eu me senti desafiada. De início, encarei a competição apenas como uma prova, mas logo percebi que era muito mais do que isso. Agradeço muito pela existência da olimpíada porque foi graças à OBMEP que todo esse caminho foi traçado”, afirma Luiza.

 




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A partir do primeiro contato com a prova, ela percebeu que a disciplina podia ter uma abordagem diferente da que já conhecia em sala de aula. “A OBMEP aborda a matemática de um jeito inovador e instigante. Essa foi uma das coisas que me fez ter interesse pela área. A maioria dos problemas na prova costuma trazer temas do nosso dia a dia que, de certa forma, são tangíveis. Isso nos aproxima da prova, porque ela incentiva a gente a explorar nossas habilidades para resolver os problemas. Em vez de só resolver uma equação, na OBMEP você mesmo cria as equações que vai precisar resolver”, explica.

Apesar de novata, Luiza não se deixou intimidar pela estreia na competição, e foi uma das poucas estudantes da sua escola que conseguiu conquistar um ouro. “Todos comemoraram junto comigo e foram reações das mais diversas. Meu professor ficou orgulhoso do trabalho dele, porque ele me acompanhou durante toda essa jornada.” A conquista também entusiasmou seus colegas. “Depois que eu ganhei a medalha, vi que isso acabou trazendo uma motivação para os outros, que antes viam a prova só como uma atividade extra e passaram a ver que abriu oportunidades para mim”, compartilha.

Com o ouro em mãos, Luiza  passou a frequentar o Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.) semanalmente, onde pôde se aprimorar no estudo da matemática. Como também conquistou medalhas na OBMEP de 2017 e 2018, participou do programa por três anos seguidos. Em 2018, ganhou uma bolsa de 100% para frequentar a escola particular Centro Educacional Leonardo Da Vinci, onde atualmente cursa o 2º ano do Ensino Médio. Nesse período, ainda levou uma medalha na  Olimpíada de Química Jr. e três na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA).

Luiza relata que, no PIC, conheceu outro lado da matemática, além de fazer amizade com alunos que compartilhavam com ela o mesmo fascínio pela disciplina. “É um ambiente muito confortável para mim porque lá eu encontro pessoas que têm valores semelhantes aos meus e que não só gostam da matemática, mas também estão buscando se desafiar. Me senti muito acolhida e consegui ver perspectivas diferentes, porque eram alunos de outras escolas e cada um tinha uma forma de resolver as questões”, conta. 

A estudante lembra com satisfação das duas premiações nacionais da OBMEP das quais participou em 2017 e em 2018, no Rio de Janeiro. “Foi muito enriquecedor estar em contato com outros alunos dos mais variados níveis”, comenta, relembrando dos momentos marcantes. “Quando você recebe uma medalha, é mais do que a medalha, é uma recompensa pela hora extra que estudou, pelo momento que você pensou em uma nova fórmula...”, diz.